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sexta-feira, dezembro 02, 2022

Km 224


Já disse o quanto gosto de ter um serviço de streaming com filmes Portugueses? Não sei. Se calhar disse. O mais provável é já o ter dito algumas vezes. Sei que tenho uma tendência para repetir-me. Aliás, o que faço apenas e só é repetir-me. Não tenho mais nada de novo para dar ao mundo. O que consegui aprender está aprendido. O que consigo ver está visto. O que era capaz de fazer já fiz. Há algum tempo. Agora é só repetição do mesmo comentário ou história. Fica aqui revelado, para quem ainda não o descobriu. Eu disfarço bem porque tento não passar muito tempo com as pessoas. Mas é bastante flagrante.

De qualquer modo, gosto muito de ter um serviço de streaming com filmes Portugueses. A programação da HBO Max é boa só por si (maior parte é fundo de catálogo, mas não nos prendamos com detalhes), tendo ainda acesso a produção nacional - que muita mais falta me faz hoje em dia - é óptimo. E eu gosto do trabalho do realizador. No meio do marasmo que é o cinema Português (na minha opinião), estes filmes são um oásis, com bastantes belos pormenores.

Concretamente sobre Km 224, percebo de onde veio a ideia e acho algumas partes bem conseguidas. Não consegui identificar-me com os personagens. São reais, porque têm defeitos e fazem coisas horríveis como todos nós. E sei também que há por aí milhentos casais como este, que se odeiam e, em especial, às suas respectivas características principais, mas que têm filhos mesmo assim. Não percebo como este casal esteve junto tanto tempo. Ele é descontraído demais, o que leva a desleixo. Ela é super controladora e quer tudo certinho. Odeiam-se, como é óbvio. São pólos opostos. No entanto, aturaram tudo o que odeiam no respectivo parceiro, tempo suficiente para terem dois filhos. Ainda para mais passam boa parte do filme a queixar-se do que foi a relação e fazendo coisas absurdas que justificam cada um pelo ódio que têm um pelo outro.

Foi-me complicado ter empatia com dois personagens que têm tanto do que não gosto nas pessoas. Contudo, gostei de ver o filme e foi um tempo muito bem passado. E isso é que interessa.

sexta-feira, outubro 14, 2022

Variações


Bamo lá matar saudades da terrinha, com um filme em tuga.

Tinha curiosidade para saber mais desta figura incontornável da música portuguesa. Não sou o maior fã, mas volta e meia a sua música mais conhecida passa na minha cabeça. Podia ter lido uma página da Wikipédia. Terá mais veracidade, por certo. Podia. Mas não era a mesma coisa. Aliás, se não visse o filme, como poderia queixar-me, uma vez mais, do fraco nível do som na parte dos diálogos? Este sim, para mim, é o verdadeiro clássico do cinema português. Ser obrigado a meter o volume quase no máximo para perceber o que dizem, só para logo após, à pressa, baixar tudo assim que toca uma música, por estar alto demais e poder vir a acordar os vizinhos.

O filme está bem conseguido, apesar de ter alguns diálogos forçados, cheios de pressa para chegar ao objectivo da cena. Vale pelo facto de que o Variações era um tipo super interessante. Para o final a narrativa estava a arrastar-se, mas isso é normal em biografias de músicos, onde sabemos sempre o final trágico. Ele ou é drogas, desastre de avião, depressão ou, neste caso, SIDA. Parece que precisam sempre duma morte antes de tempo, só para serem grandes.

quinta-feira, maio 19, 2022

Mosquito


É o Camané e o Manuel João Vieira. Sempre que vejo algo português, aparecem os dois. Têm mais créditos que maior parte dos actores portugueses.

Ainda há pouco tempo relembrava uma conversa tida com um casal amigo, em tempos idos. A moça insistia que, para ela, tudo o que não fosse uma história «normal», era ficção científica. Fantasia ser metido no mesmo saco é um exagero só por si, mas sempre foi mais ou menos comum, para malta que não aprecia os géneros. Ela ia mais longe. Qualquer filme de acção, com umas cenas um pouco mais ridículas, ia pelo mesmo caminho.

Para mim, esta ideia dum miúdo de 17 anos meter na cabeça que quer ir para a guerra, defender a pátria, isto para mim é ficção científica. É-me um conceito completamente alienígena. Uma coisa é seres obrigado. O país precisa que alguém vá e obriga-te a isso. Eu fugiria, muito provavelmente, mas percebo que aí haverá pouco a fazer. Agora, voluntariamente ir lutar por algo do qual não tive voto na matéria, para defender interesses de outros, que desconheço? Epá, não obrigado.

Daí que tenha tido alguma dificuldade em perceber maior parte das decisões idiotas deste pobre palerma. Ainda para mais quando era uma besta para toda a gente. Mais ainda tive em perceber como é que ele, estando meses no mato, não lhe cresceu um pelo na cara. Com 17 anos ao menos tem-se buço, não?

terça-feira, dezembro 07, 2021

Cabaret Maxime


Pois então parece que isto é um filme Português. Tem produção, realização e, imagino, financiamento Português. A questão é que, para além da belíssima actriz Ana Padrão, alguns figurantes, variadíssimos planos das ruas do Cais do Sodré (não tão cheias como na realidade), e da presença em palco dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, não há assim muita representação Portuguesa.

Quer dizer... Agora que ponho a coisa por escrito.... Não é preciso mais nenhuma representação Portuguesa que os Ena Pá! Que raios estava eu para aqui a dizer?! Destacaram o grande Phil Mendrix em cena, em palco, rodeado de mulheres semi vestidas. Nada menos do que merece. Quem vir o filme sabe que Portugal é «a cena».

Afinal, é para isso que serve o cinema Português.

quinta-feira, julho 29, 2021

Parque Mayer


Dois filmes portugueses num mês?! E os dois até que não são nada maus? Algo está virado do avesso no mundo. Às tantas até é o mundo que vai acabar. Ou, como diz um amigo meu, o mundo não acaba, deixará apenas de servir para nós.

Revista nunca foi a minha praça, mas acedo que tenha sido muito importante na luta contra o fascismo. Muito louvo quem tenha tido coragem para falar, para criticar, naquela altura. E em Parque Mayer temos uma boa história humana, a representar o que se vivia naqueles tempos.

Agora, isto é tudo muito bonito, mas espero bem é que alguém esteja a trabalhar no spin off sobre o bordel da senhora dona madame Calado, interpretada por Alexandra Lencastre. Ora aí está outro filme Português que veria com gosto.

segunda-feira, julho 12, 2021

Bem Bom


Os medos e os sapatos descalçam-se em casa. Aqui trabalha-se.

Uma das várias frases/pérolas que a personagem da Teresa diz ao longo do filme. Preferia que fossem estas a ficar-me na cabeça e não a música que mais surge na promoção. É que tenho-a em loop na cabeça desde que vi o trailer pela primeira vez. Achei que teria de ser terapia de choque. Talvez se visse o filme a coisa passasse.

E sendo certo que a música ainda vai andar aos saltos pelo meu cérebro durante uns tempos, a verdade é que não saio da sala de cinema (confere, fui, mesmo em tempo de pandemia; segunda ida em menos duma semana) mal servido. Confere que há demasiados planos fechados para não se ver coisas a cortar o ambiente dos anos 80 (que depois também não deixam ver grande coisa). Mas temos representações e falas bem melhores ao que o cinema português nos habituou. Agora, anda é tudo sempre a fumar, por algum motivo. Foi acender uns com os outros, literalmente. E só tabaco, o que é estranho para qualquer banda digna desse nome, ou para aquele (ou qualquer) tempo. Já a surpresa das surpresas, é que afinal o «uma da manhã, hey!» chama-se Bem Bom! OK. Agora percebo o nome do filme. A única coisa que posso dizer mais, e que terminará o post da melhor forma é: A vida é curta. Começa pela sobremesa.

Tomem lá cultura popular, que é para ver se acordamos todos.

segunda-feira, maio 17, 2021

A Mãe é Que Sabe


Imagino que, a propósito do falecimento da Maria João Abreu, o HBO PT tenha decidido colocar este filme no catálogo. Se não foi por isso, foi uma coincidência incrível, ou este filme poderá estar amaldiçoado. Isto porque um dos actores faleceu no ano em que o filme saiu. Não, não seria algo assim tão surpreendente. É que este filme - um filme português, recordo -, não está nada mau. Aliás, para filme português está até bem bom. O que poderá justificar a maldição. Alguém poderá ter feito algum tipo de «negócio» com uma qualquer entidade maliciosa.

Elenco porreiro. Cenas humorosas a terem efectivamente piada. Diálogos pouco forçados. As cenas no passado muito bem feitas. Simples e eficaz. Sim, senhor. Foi uma boa maneira de despedir-me desta senhora. Não vi muita coisa com ela, é certo, mas também porque maior parte foram novelas. Sempre disse que sabia representar, e é também neste filme que o prova.

domingo, maio 09, 2021

Sei Lá


Gosto que tenha disponível filmes tugas no HBO. O problema é que... são filmes portugueses. Com tudo o de horrível inerente.

Eu acho (ênfase na palavra) que queria ter visto este filme na altura. É dum realizador que conseguiu fazer alguma coisa decente, no marasmo que é cinema Português. Não vi então. Vi agora. A reacção seria a mesma, parece-me.

Sei Lá está cheio de betices, maneirismos da linha, cenas prepotentes, gente com demasiado dinheiro ou nomes e, pior, demasiada mania. Só de ouvir o tom nasal de betas a roçar o tias, fico logo com urticária. Depois são os diálogos, sempre tão maus. E o mais ridículo é que estava constantemente com a sensação de que isto tinha sido escrito por um homem, de tão más que estavam desenvolvidas as personagens (principais) femininas. Não é que isto é baseado num livro escrito por uma mulher. Chiça!

Vou continuar a vê-los e a continuar a ter vergonha alheia. É o que temos, mas olha, ao menos que estejam disponíveis em streaming. Continuo sem perceber como não estão mais. Como não estão todos. Continuo a achar que será a única forma de alguém os ver.

segunda-feira, outubro 05, 2020

Ruth


Como Português que sou, não tinha grande vontade de ver um filme com produção da minha terra. Como Benfiquista que sou, tinha de o ver. E não deixou de ser curioso, em pleno dia de celebração da implantação da República, ver o quão corrupto «era» o raio do país. Quando se usavam recursos militares para transportar um jogador de futebol. E quando se usavam todas as influências possíveis de estado para impedir esse mesmo jogador de ser inscrito.

Hoje em dia quero acreditar que tal não aconteceria, mas o «nosso» futebol também já não tem propriamente Eusébios, convenhamos. Não há como comprovar a teoria.

quinta-feira, junho 27, 2019

Os Gatos não Têm Vertigens


Está tudo maluco?!

Estamos em 2013. Plena crise em Portugal, é certo, mas... A protagonista deste filme tem uma casa na encosta do Castelo. O marido acabou de morrer e o enteado, artista, quer vender a casa para fazer uns trocos. O que é para lá de estúpido, bem sei. Então vai vender uma casa em Lisboa antes do boom do turismo? Ainda por cima a casa está remodelada e tem acesso ao terraço com vista para Lisboa e para o rio. O raio do sítio vale uma pequena fortuna, hoje em dia. Assim, o estúpido forçou a coisa, antagonizando sogra e mulher. Perde um negócio de sonho e a Fernanda Serrano, que continua a ser um sonho só por si. É o que dá não ter paciência.

Fora isso, o filme até está bem engraçado. O rapazito principal não sabe representar e continuamos com aquele problema de maior parte das coisas ditas em Português soarem sempre a falso. Mas a história é romântica e optimista, como se queria naqueles e em maior parte dos tempos.

terça-feira, junho 25, 2019

Camarate


Não está nada mau.

É estranho dizer isto dum filme. Mas é o elogio que se pode fazer a um filme Português, ou não tivesse eu tão má impressão do género. Estou mal habituado e até admito ser algo elitista, mas parece-me ser uma espécie de consenso geral sobre a arte feita neste país. Quando é que foi a última vez que alguém ficou entusiasmado com um filme Português? Maior parte das pessoas sabe sequer o que tem sido feito? Dos últimos anos então não tenho a mais pequena noção. Quantos terão sido feitos nos últimos dez anos?

O que me faz pensar: porque não estão todos disponíveis no Netflix? Não é que se vá ganhar muito dinheiro. Mas a Netflix está interessada em ter volume. Não será uma boa forma de divulgar o trabalho? Será que os ICAs deste país colocam entraves a ter os filmes numa plataforma que chega a tanta gente? Talvez até leve a que se desenvolva um pouco a produção nacional, não? Todos os países andam a fazer coisas com a Netflix. Andamos nós a ver produção espanhola e italiana. Porque não andar a ver as nossas coisas?

Não sei quanto a vocês. Eu via filmes Portugueses na Netflix.

quarta-feira, agosto 10, 2016

Assim Assim


O IMDb refere na descrição do filme que todos os personagens se encontram na esplanada (até diz esplanade e tudo). Isto é um pouco absurdo. A primeira cena é numa esplanada, mas apenas parte dos personagens encontram-se lá. É uma óptima cena, diga-se de passagem, com vários momentos em que pensamos que se passa mais do que estamos a ver. Cria algumas expectativas para o resto.

O certo é que as cenas seguintes não são tão fixes, tirando a última. Em todo o caso, serei sempre fã deste tipo de narrativa, com vários personagens/linhas de narrativa a cruzarem-se... Ou não.

A minha reacção acaba por ser melhor que apenas «assim assim».

Capitão Falcão


Olha que alegre e divertida surpresa. Afinal é possível fazer filmes engraçados nesta terra?

Apesar de que a premissa do Salazar ser um tipo fixe é um pouco difícil de tolerar, por muito que seja uma sátira declarada ou que tenha sido hilariante quando Waddington gritou «Angola é nossa!»

Já tinha ficado com ideia que seria um bom filme, quando saiu. Ter dito que foi surpresa foi mais para melhorar o início do post, admito.

Sou um biltre bloguista, no fundo.

domingo, dezembro 02, 2012

Capitães de Abril

IMDb

Num dia bonito de sol, numa manhã de domingo, decido ver algo sobre homens inspirados, motivados pela possibilidade de um amanhã melhor. Confesso que tive arrepios em vários momentos. Sim, estava bem filmado, mas acima de tudo foi o imaginar de como terá sido aquele dia. A alegria nas ruas. Pessoas desconhecidas a abraçaram-se. O festejar do fim de algo terrível que ocorria em Portugal. Terá sido um dia extraordinário. Inesquecível. Já os dias de hoje... Tarde virá o momento em que os consigamos esquecer.

quinta-feira, maio 17, 2012

Os Mutantes

IMDb

Epá, e arranjar um póster decente deste filme? Nada fácil.

Então o alarido todo era este. Quase duas horas a seguir putos estúpidos, com uma interpretação da miúda que, na altura, foi considerado qualquer coisa de incrível. Ela a dizer asneiras então... ui, parece que nasceu para aquilo. Se pareço frio é porque tenho pouca tolerância para gente estúpida. E quanto mais novos, pior, porque esses são os que precisam mais. Se lhes é oferecida ajuda e não querem... temos pena. Tenho pena da criança que nasceu numa casa-de-banho pública e poderá nunca saber porque nasceu numa casa-de-banho pública. Pena dos idiotas que fogem dos sítios que tomam conta deles? Não, desses não tenho. Lamento se faz de mim má pessoa.

sábado, maio 05, 2012

Sangue do Meu Sangue

IMDb

E qual foi o objectivo?

Ficou-se a ver umas mamas. Soube-se que esta família não guarda segredos dentro de casa (e devia). E que guardam segredos para fora de casa (e não deviam). Sabes-se (já se sabia) que a Rita Blanco é chata que dói. Ou talvez seja o personagem. Não sei. Só sei que houve um momento em que o meu cérebro gritou «cala-te c@r@lh0, já se percebeu». Não tirei muito mais.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Dot.com

IMDb

Que ideia tão tonta.
Uma pequena povoação tem o mesmo nome que uma marca registada, duma multinacional espanhola: Águas Altas. Um jovem engenheiro mudou-se para a povoação há um ano, com o intuito de construir uma estrada. Acabou por fazer antes um sítio Web «ponto com». A multinacional quer recuperar a marca e tenta forçar a povoação a mandar abaixo o sítio, visto ter um nome «que lhes pertence», ou terão que pagar uma indemnização de 500 000 euros. Lógico. Muito lógico, isto. Vamos ignorar o facto de que, até agora, sempre que alguém quis usar um domínio, se este já estivesse registado, tinham que pagar. Por isso é que, durante aquele período inicial da Internet, andava aí uns tontinhos a registar domínios a torto e a direito. Ainda haverá quem o faça. E muitos terão feito belas maquias, à custa dessa iniciativa. Depois desta ameaça, alguns habitantes são a favor de mandar abaixo o sítio, outros querem mantê-lo, fazendo frente a Espanha, num apoio incondicional à nação. Maior parte quer é tentar receber algum, sem ter que fazer nada. Lá está, uma ideia tonta.

PS - Já nem me lembrava. Aliás, não me lembrei mesmo, senão teria escolhido um filme mais emblemático. Com este Dot.com, são 300 filmes vistos este ano. Se em Maio não tenho «andado na moinice», e com um esforço agora em Dezembro, era bem capaz de chegar aos 365. Já não será possível. Talvez em 2011. Há que ter objectivos e ambições na vida. Feliz 300 filmes para mim!

sábado, novembro 06, 2010

Corrupção

IMDb

E eu tenho a certeza que as coisas vão mudar.
Não. Nem por isso. Nada, mesmo. Tudo na mesma, filha.

Alguém explica a esta gente que teatro não é cinema, por favor! Porque é que tem sempre que haver aquelas m€rd@s estúpidas de falar para o espaço, em vez de falar directamente para a pessoa. Isso não existe na vida real, caramba!

A história não era difícil. Aliás, isto é realidade. Envolve sexo, corrupção, futebol, violência, asneiras e idiotas. Tem tudo para ser um sucesso e não, não é difícil de escrever. Este filme, com tanto sumo, com tanto para dar, consegue ser uma seca.

Num tom mais ligeiro, achei um piadão à cena onde uma equipa de arbitragem é subornada com meretrizes. Estavam quatro moças para três homens. O 4.º árbitro não tem direito a nada. Coitado.

O problema dele são as gaijas. Fica maluco e não liga a mais nada.*

*Esta não é do filme. Há uns tempos, ouvi dois empresários do norte a falar sobre a pessoa na qual o personagem de Breyner é baseado. Curioso.

terça-feira, outubro 19, 2010

Amália: O Filme

IMDb | Sítio Oficial

Perdoem-me a ignorância, mas a Amália não era analfabeta? É que ela aqui escreve e lê, e fala inglês e francês... bem, não fluente, mas melhor que o Ricardo Carriço fala brasileiro. Pois, é que pensei que ia aprender muita coisa sobre um dos grandes ícones portugueses, mas afinal tive que levar com uma moça que vende fruta à beira rio e diz «o momento perdeu-se», quando alguém lhe pede para continuar a cantar.

Se alguém quiser ver uma história cheia de cenas (reles) de sexo, com velhos e uma figura conhecida, e planos bem fechados, para não se apanhar nada moderno lá atrás, este é o filme ideal. Decididamente. A coisa até nem começou mal: dois dias depois da revolução de 74 (esse maravilhoso ano), Amália dava um concerto no Coliseu e era chamada de fascista. Vamos vendo cenas duma Amália bem mais velha, em decadência, algures num quarto de hotel. Andamos de um lado para o outro, sendo que estas cenas decadentes apenas servem para dar a ideia de passagem de tempo nas cenas mais antigas. Só que a certa altura, um pouco depois de meio, começaram a aparecer personagens vindas de não sei onde, que tinham importância mas nem dois minutos estiveram em cena, e parece que o orçamento acabou, e que ainda faltava muita coisa para contar e que queriam contar MAS... acabou-se o tempo.

domingo, outubro 10, 2010

4 Copas

IMDb

A Margarida Marinho tem (tinha?) umas grandes marufas. É casada com João Lagarto e é amante de Filipe Duarte. É cabeleireira e viciada no jogo, desde bingo a póquer. Uma louca. Porque é que tem dois homens, se tem estes problemas? Porque tem uma marufas que até dá uma para cada um deles. Pelo meio anda Rita Martins, que pode não ter marufas, mas tem jeitinho suficiente para roubar o amante à madrasta, tentando vingar o pai (o Lagarto). Só que o plano sai-lhe mal e envolve-se demasiado com o menino Felipe. Uma história a de amor a quatro, que envolve família, jogo, um pequeno centro comercial e gunas a levaram a mobília da casa, para pagar dívidas de jogo.

Assim até parece emocionante. Não é assim tanto, mas não está nada mau. Construíram o filme com uma data de cenas curtas, com poucos diálogos. A história decorre com fluidez e o espectador não fica irritado com a habitual falta de naturalidade das cenas portuguesas.