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sábado, janeiro 14, 2023

RRR (Rise Roar Revolt)


Posso ter ficado sem filmes Star Wars para ver, mas não quer dizer que tenha ficado sem filmes épicos para ver. E «épico» será uma boa palavra para descrever RRR. Haverá outras, por certo. Muitas mais. E se este filme precisa delas. De todas elas. Até talvez uma língua delas não chegue. Talvez precise ser descrito com mais palavras. De mais línguas. De todas as línguas.

...

OK, calma. Respira. Fui longe demais. Também não é o supra-sumo do cinema. O filme é muito divertido. Tem três horas, mas tirando ali uns dez ou quinze minutos depois das 2h30, em que a coisa abranda demasiado, tudo o resto vê-se muito bem. Não se dá pelo tempo a passar. Estão sempre a acontecer coisas e, mais que não seja, a falta de sentido de algumas delas faz-nos continuar muito atentos a tudo.

É uma senhora história, cheia de voltas e momentos difíceis de entender, quanto mais de descrever. Percebo a atenção que teve o ano passado. Percebo porque aparece em boas listas. Faz sentido.

sexta-feira, setembro 24, 2021

The White Tiger


My amazing success story.

White Tiger é mais uma história em que alguém foi de rags to riches, neste dog eat dog world. Porque foi referência? É uma boa história, atenção, mas terá ajudado a mudança de cenário. É ter exactamente os mesmos sentimentos humanos - orgulho, inveja, ganância, vingança, revolta -, mas numa outra cultura. Num mundo radicalmente diferente do ocidente, mas bastante normal para milhões de Indianos.

White Tiger está bem contado e não há como não perceber o personagem principal. Apesar do actor ser um pouco gingão demais, no meu entender. Tornou difícil vender a humildade inicial. Mas em nada estraga a experiência.

terça-feira, fevereiro 02, 2021

Serious Men


O filme é uma porcaria e não o devia ter acabado de ver.

É preciso mais? OK.

O pai trabalha com idiotas que acham-se esperto, que conseguem parecer ser espertos por dizerem coisas inteligentes aleatoriamente, fazendo-se valer que as outras pessoas não são tão espertas, em teoria. Usando a estratégia de «dizer cenas», o pai treina o filho para parecer ser um génio. Para proveito próprio. O esquema não dura para sempre e o filho é descoberto. O pai mostra-se arrependido? Não especialmente. Ah, e os «homens espertos» ainda ajudam no esquema, a certa altura, porque sim.

Uma estupidez pegada.

domingo, setembro 08, 2019

Hotel Mumbai


Estou em crer que fui enganado. OK, o filme estreou em Toronto, há um ano, precisamente. Mas depois estreou nos cinemas apenas este ano. Em que ficamos, meninos? Isto é coisa séria. Não é para brincadeiras. Só estou a ver filmes de '18! Raios partam os festivais.

Quem viu o de Rwanda, viu este de Mumbai. Os hotéis em filme são todos iguais. Uma cambada de idiotas com armas começa aos tiros. Matam e tornam reféns hóspedes e staff. Há umas pessoas no hotel (heróis?) que salvam a vida a outras tantas pessoas. Tudo muito intenso. Tudo muito surreal. Tudo muito deprimente e a fazer chorar a lagrimazita pelos que sobrevivem.

Como é que algo assim pode acontecer?

quarta-feira, junho 26, 2019

3 Idiots


Para uma coisa meio declarada como comédia, isto tem uma data de suicídios.

Não terei sido só eu a achar que era uma comédia. Basta olhar para este cartaz, não? E atenção que tem muito de comédia. Os personagens são meio tolos e há uma data de brincadeiras, umas mais inocentes que outras. Falamos de jovens estudantes universitários, que só querem passar um bom bocado enquanto estudam e tentam dar um rumo sério e digno às suas vidas. O certo é que há dois suicídios e uma tentativa durante o filme. Há dados estatísticos que provam que acontece muito com estudantes universitários, pressionados pelos pais e pelas próprias instituições a dedicarem-se absolutamente ao curso. Muitas das vezes é a forma de tirar a família da pobreza. O cérebro destes pobres rapazes (não se vê uma rapariga na universidade dos engenheiros, pois parece que elas estão «destinadas» a ser médicas) quebra, e não vêem alternativa que não acabar com a própria vida.

O mais chocante, ao pensar-se no assunto, é o personagem do director da universidade. É um tipo altamente competitivo, e a sua atitude de «vocês são todos uma porcaria e não merecem ser engenheiros» leva a um estudante matar-se e um segundo a tentar. Ninguém despede este gajo? Não há consequências de maior para este verdadeiro idiota? Às tantas descobre-se que o próprio filho matou-se por causa da pressão idiota que este lhe pôs em cima para ser engenheiro!

Posto isto, vi o filme porque está na lista de melhores filmes, do IMDb. E é merecido. É um filme bem engraçado e inteligente. Não sendo declaradamente «Bollywood», também tem umas musiquetas e danças absurdas. Mas está tudo dentro do registo do filme, bastante bem contado. Percebo a posição tão alta na lista.

terça-feira, agosto 02, 2016

Dabba


Romance particular, numa realidade algo diferente da nossa. Não no sentido do romance, entenda-se. Receios, atracções, empatias, erros... Isso é tudo igual, em todo o lado.

Mais a questão das refeições entregues no escritório. Existirão em Portugal alguns serviços que entregam refeições no local de trabalho, mas uma esposa fazer a comida e haver um serviço de entrega, multiplicado por dezenas de outros casos iguais - talvez centenas ou mais -, é menos usual.

O que acontece é que a refeição que a esposa faz, com todo o amor e carinho, por lapso não chega ao marido, mas sim a um estranho. Percebendo que algo se passa, apesar do serviço o negar, a dupla começa a trocar mensagens, estabelecendo uma relação improvável. Ele é viúvo, com filhos crescidos já fora de casa. Ela não é feliz no matrimónio, com filhos pequenos ainda em casa.

Admito que, apesar de ter achado a história gira - que achei -, fiquei bem mais fascinado com a entrega de refeições caseiras no local de trabalho. Bem que me dava jeito.

sábado, dezembro 13, 2014

The Hundred-Foot Journey


Outro óptimo exemplo dum póster péssimo, a dar uma imagem errada dum filme. Não que o filme seja muito melhor da palhaçada mostrada aqui, mas também não é isto. Não tem Mirren como personagem principal, para já. É apenas a actriz mais conhecida do elenco. Do mundo ocidental, atenção. Não faço ideia se qualquer um dos indianos é mega estrela de Bollywood, porque isso torna o póster ainda mais ridículo.

Cláusulas contratuais de actores à parte, o filme também não é esta palhaçada que se vê aqui, em que mais parece um filho bastardo da Mary Poppins. É uma história duma família que sai de país, depois dum trauma, à procura dum melhor pouso para o seu restaurante. Acabam por encontrá-lo no meio de França, sítio conhecido pela sua arrogância... eeer, queria dizer prepotência... não, não, queria mesmo dizer pela sua culinária. E pela maneira como recebem estrangeiros.

A partir daqui entra um pouco de fantasia à Hollywood, mas ainda não à Mary Poppins. A culinária indiana mistura-se com a francesa, entrando ainda no popular, hoje em dia, campo da fusão. E é neste ponto que deixa de fazer qualquer sentido. Porque se caril se misturasse com cordon bleu, alguém já o tinha inventado.

Lamento. Podem fazer filmes sobre deuses com martelos, homens que voam, ou cientistas geeks que vão para a cama com modelos. Agora, metam-se a inventar com comida e aqui o DaMaSCo fica chateado. Esse é o meu limite.

domingo, outubro 16, 2011

Endhiran


Mais uma epopeia para ver um filme com três horas. Comecei de manhã e acabo ao final da tarde. A verdade é que ficava cansado com cada número musical. Metia-me a dançar e precisava duma pausa. Dormi três ou quatro vezes. Chamemos-lhe power naps.

Um cientista indiano velho e gordo decide ignorar a namorada, Aishwarya Rai, para construir um robô à sua imagem. Porque é que alguém decidiria fazer um robô velho e gordo, não sei. O mais estranho é que criou-o sem a premissa básica de Asimov de não atacar humanos. No entanto, esta não é a parte de ficção científica. A verdadeira tecnologia avançada é a parte em que sempre que a Aishwarya entrava em cena, vinha sempre em câmara lenta e com uma ligeira brisa, que influenciava mas não afectava o cabelo. Não só isso, como sempre que dava um beijo a alguém (não na boca, calma, um beijinho na face) essa pessoa também tinha uma ligeira brisa a mexer-lhe no cabelo. Que coisa incrível. Não só a cena do vento. A própria Aishwarya... que mulher bonita. Uau!

E sim, o filme é ridículo. Há montagens e videoclips a meio, que nada têm a ver com a história. É uma coisa Bollywood, claro. Mas o pior era todas as interacções com o robô em todos os niveis. Era herói. Era uma ameaça. Era a coisa que ia proteger a Índia toda, sozinho. Era a máquina mais inútil de todas. O seu grande poder era o magnetismo.

Para além de ter conversas com mosquitos. Esse poder era muito bom e útil.